Resposta rápida: durante uma convulsão, proteja a cabeça da pessoa, vire-a de lado, afaste objetos por perto e cronometre a duração da crise. Não coloque nada na boca da pessoa e não tente segurá-la para impedir os movimentos. Ligue para o SAMU (192) se a crise durar mais de 5 minutos, se for a primeira crise, se houver ferimento, ou se a pessoa não recuperar a consciência entre uma crise e outra.

Presenciar uma convulsão assusta, mesmo quando não é a primeira vez. Saber o que fazer, e principalmente o que não fazer, muda o desfecho e evita ferimentos tanto para quem está tendo a crise quanto para quem está ajudando.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é uma convulsão
  • O passo a passo do que fazer durante uma crise
  • O que nunca se deve fazer
  • As causas mais comuns
  • Quando procurar um neurologista após uma crise

O que é uma convulsão

Convulsão é uma manifestação de atividade elétrica anormal e excessiva no cérebro, que pode causar desde um breve momento de “desligamento” até abalos musculares generalizados, perda de consciência e perda de controle de esfíncteres. Nem toda convulsão significa epilepsia: uma pessoa pode ter uma única convulsão na vida, provocada por febre alta, uma queda brusca de açúcar no sangue ou abstinência de álcool, sem nunca ter outra crise.

O que fazer durante uma crise

  1. Mantenha a calma e proteja a pessoa de se machucar, afastando objetos próximos, principalmente com quinas ou pontas
  2. Coloque algo macio sob a cabeça dela, para amortecer o impacto contra o chão
  3. Vire a pessoa de lado (posição de recuperação), assim que possível, para evitar que saliva ou vômito obstruam a respiração
  4. Cronometre a duração da crise, essa informação é essencial para a equipe de emergência
  5. Afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço
  6. Fique ao lado da pessoa até a recuperação completa da consciência, orientando-a com calma, já que a confusão após a crise é normal e temporária

O que nunca fazer

  • Não coloque nada na boca da pessoa. A ideia de que a pessoa pode “engolir a língua” é um mito; colocar objetos na boca pode causar ferimentos ou obstruir a respiração
  • Não tente segurar ou imobilizar os movimentos dela à força
  • Não jogue água no rosto nem tente dar água, remédio ou comida durante a crise
  • Não deixe a pessoa sozinha até que esteja totalmente recuperada

Quando ligar para o SAMU (192)

  • A crise dura mais de 5 minutos
  • É a primeira convulsão que a pessoa apresenta
  • Ocorre em uma pessoa grávida
  • Há ferimento durante a crise
  • A pessoa não recupera a consciência entre uma crise e outra (crises repetidas)
  • A crise ocorre na água, com risco de afogamento
  • A pessoa tem diabetes e pode estar com açúcar baixo no sangue

Causas mais comuns

  • Epilepsia, condição de tendência a crises recorrentes, sem uma causa aguda identificável a cada episódio
  • Febre alta em crianças pequenas (convulsão febril), geralmente benigna, mas que também deve ser avaliada
  • Queda de açúcar no sangue (hipoglicemia), principalmente em pessoas com diabetes em uso de insulina
  • Abstinência de álcool em pessoas com uso crônico e interrupção súbita
  • Privação de sono severa, que pode ser gatilho em pessoas predispostas
  • AVC, infecções ou lesões cerebrais, causas que exigem investigação após a primeira crise

Quando procurar um neurologista

Toda primeira convulsão deve ser avaliada por um neurologista após o atendimento de emergência, mesmo que a pessoa já esteja bem. A investigação busca entender se houve um fator provocador isolado (febre, hipoglicemia, privação de sono) ou se há indicação de investigar epilepsia, o que geralmente envolve exame neurológico, eletroencefalograma e, em alguns casos, exame de imagem do cérebro.


Conclusão

Saber agir durante uma convulsão é simples e pode ser decisivo: proteger, não conter, cronometrar e chamar ajuda quando necessário. Depois da crise, a avaliação neurológica é o que define se houve um episódio isolado ou se é preciso investigar e tratar uma condição de base.


Escrito e revisado por Dr. Brendow Martin Neurologista — CRM/CE 22318 · RQE 18935 Última revisão: 29/06/2026