A enxaqueca é uma das principais causas de incapacidade no mundo e tem grande impacto na população brasileira. O tratamento evoluiu nos últimos anos, mas ainda existe diferença importante entre o que está disponível na literatura e o que é acessível na prática, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste artigo, você vai entender:

  • Quais são os remédios para crise de enxaqueca
  • Como funciona a prevenção (profilaxia)
  • O que está disponível no SUS
  • Quais são as opções mais modernas
  • Quando procurar um neurologista

Tratamento da crise de enxaqueca (fase aguda)

O objetivo do tratamento da crise é interromper a dor e restaurar a funcionalidade do paciente.

Analgésicos e anti-inflamatórios

  • Dipirona
  • Paracetamol
  • Ibuprofeno
  • Naproxeno
  • Diclofenaco

São amplamente disponíveis no Brasil, inclusive no SUS, e funcionam melhor quando utilizados no início da crise.

Triptanos

  • Sumatriptano
  • Rizatriptano
  • Naratriptano
  • Eletriptano
  • Zolmitriptana

São considerados tratamento específico para crises moderadas a intensas. No Brasil, o sumatriptano é a opção mais disponível. São contraindicados em pacientes com doença cardiovascular.

Antieméticos

  • Metoclopramida
  • Domperidona

Além do controle de náuseas, melhoram a absorção dos analgésicos e fazem parte da abordagem padrão, inclusive em serviços de urgência do SUS.


Novas medicações (ainda pouco disponíveis no Brasil)

  • Gepantes (rimegepant, ubrogepant)
  • Ditans (lasmiditan)

Ainda não fazem parte da rotina do SUS e têm acesso restrito na rede privada.


Importante: o uso frequente de medicação para crise pode levar à cefaleia por abuso de analgésicos, condição bastante comum na prática clínica brasileira.


Tratamento preventivo da enxaqueca (profilaxia)

A profilaxia é indicada quando há crises frequentes, incapacitantes ou uso excessivo de medicação para dor.

Primeira linha no Brasil (incluindo SUS)

Anticonvulsivantes

  • Topiramato
  • Valproato

Reduzem a excitabilidade neuronal e são amplamente utilizados no SUS. São medicamentos com potencial teratogênico. Em mulheres em idade fértil, utilizar apenas com contracepção eficaz e orientação médica, avaliando riscos e benefícios.

Antidepressivos

  • Amitriptilina
  • Nortriptilina
  • Venlafaxina

Particularmente úteis em pacientes com distúrbios do sono, ansiedade ou dor crônica associada.

Betabloqueadores

  • Propranolol
  • Atenolol

Boa opção em pacientes sem contraindicações cardiovasculares específicas. São evitados em pacientes com asma.

Outras opções utilizadas

  • Flunarizina (frequentemente usada na prática brasileira, apesar de disponibilidade variável no SUS)

Terapias modernas

Anticorpos monoclonais anti-CGRP

  • Erenumabe
  • Fremanezumabe
  • Galcanezumabe

São as chamadas “vacinas para enxaqueca”. Apresentam alta eficácia e boa tolerabilidade. Tem aplicação subcutânea, com desconforto mínimo.

No Brasil:

  • Aprovados pela ANVISA
  • Disponíveis na rede privada
  • Alto custo
  • Não incorporados ao SUS até o momento

Toxina botulínica tipo A (Botox)

Indicada para enxaqueca crônica, definida como 15 ou mais dias de cefaleia por mês.

  • Aplicação em pontos específicos na cabeça e região cervical
  • Intervalo médio de 12 semanas
  • Redução significativa da frequência das crises

Disponível no Brasil, geralmente na rede privada. O acesso pelo SUS é limitado e depende de serviços especializados.

Bloqueios de nervos pericranianos

Procedimentos realizados com anestésico local.

Principais técnicas:

  • Bloqueio do nervo occipital maior
  • Bloqueio do nervo supraorbital

Indicações:

  • Crises refratárias
  • Transição enquanto a profilaxia começa a fazer efeito
  • Pacientes com restrição ao uso de medicamentos

Podem ser realizados em ambiente ambulatorial e estão disponíveis em centros especializados no Brasil.

Qual o melhor tratamento para enxaqueca?

Depende de fatores individuais:

  • Frequência e intensidade das crises
  • Presença de comorbidades
  • Tolerabilidade aos medicamentos
  • Acesso ao tratamento (SUS ou rede privada)

O manejo deve ser individualizado.


Quando procurar um neurologista?

  • Crises frequentes ou incapacitantes
  • Falha de tratamentos prévios
  • Uso frequente de analgésicos
  • Suspeita de cronificação

O diagnóstico correto e o tratamento adequado reduzem significativamente o impacto da doença.


Conclusão

O tratamento da enxaqueca no Brasil envolve desde opções amplamente disponíveis no SUS até terapias modernas ainda restritas à rede privada.

Mesmo assim, a maioria dos pacientes pode obter bom controle com:

  • Estratégia adequada de tratamento da crise
  • Indicação correta de profilaxia
  • Acompanhamento especializado

Escrito e revisado por Dr. Brendow Mártin
Neurologista — CRM/CE 22318 · RQE 18935
Última revisão: 29/04/2026